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Fernando Grando, engenheiro da Fórmula 1, dá dicas sobre o curso e carreira de Engenharia Mecânica

Fonte: Carolina Vellei - Site Guia do Estudante Abril
Velocidade, adrenalina, competição… O mundo automobilístico atrai a atenção dos jovens principalmente pelo alto nível de emoção das corridas. Você gosta de Fórmula 1? O engenheiro mecânico, Fernando Grando, conta para o GUIA DO ESTUDANTE como é trabalhar nos bastidores do evento, criando os motores das máquinas mais velozes do planeta.



Fórmula 1, Grand Prix do Brasil (Foto: Getty Images)

 

Fernando Grando sempre foi curioso para entender como as coisas funcionam. Quando criança desmontava e montava seus brinquedos diversas vezes, até entender como funcionavam. Outro hobby era o automobilismo, pois era (e ainda é) fascinado por corridas de carros.
Na escola, suas matérias prediletas eram da área de exatas. Daí a escolha da profissão foi um pulo. “Não tive dúvidas. Escolhi Engenharia Mecânica porque com ela seria possível atuar em muitas áreas, se comparada às outras Engenharias, e também pela minha preferência pela parte mecânica e de criação”, conta.
Decido o curso, era hora de escolher a faculdade. E, para isso, Grando contou com a ajuda do Guia do Estudante de Profissões. No começo da década de 1990, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) era a instituição que oferecia o melhor curso do Brasil. “[a avaliação do Guia] foi a principal razão para eu ter me dedicado a passar na UFSC”, revela.



O engenheiro, no Museu em Brooklands, Inglaterra, uma das primeiras pistas de corrida criadas no mundo, ao lado de Indianapolis e Monza. (Foto: Arquivo Pessoal)

 

A escolha e o esforço do engenheiro valeram a pena, segundo sua avaliação. “Na UFSC tive a oportunidade de ver quão rico era o campo de atuação do Engenheiro Mecânico”, conta. Com o passar do tempo, ainda estudante, começou a se envolver em pesquisas na faculdade, o que despertou a vontade de seguir com uma pós-graduação.
Determinado, Grando fez mestrado na própria federal de Santa Catarina. E ele seguiu nos estudos. Para fazer seu doutorado, conseguiu a chance de estudar na Inglaterra, na Universidade de Leeds.

A carreira na Fórmula 1
A entrada do engenheiro no automobilismo aconteceu quase que por acaso. Ao observar o mural de avisos da universidade na Inglaterra, um em especial lhe chamou a atenção: uma vaga para engenheiro de performance em uma grande equipe de Fórmula 1. Ele pensou que era uma grande chance e decidiu agarrar a oportunidade com unhas e dentes. “Meus planos eram de voltar ao Brasil depois de terminar o doutorado, mas resolvi conhecer a empresa, sua história, e me apliquei. Na pior das hipóteses, o que eu poderia receber era um não”, revela.



Arquivo pessoal

 

A iniciativa deu certo e ele foi aprovado no processo seletivo. “Parecia uma área muito distante, mas o sonho virou realidade. Você ver tudo isso de perto é muito bom. É legal ver o locutor narrar a corrida e ver o que ele fala de errado na hora”, brinca Fernando.
Há sete anos, o engenheiro trabalha diretamente com Fórmula 1, com foco no desenvolvimento de motores. Fernando é responsável por analisar projetos, tantos os que poderão ser criados como os que já estão em funcionamento. Ele já participou de trabalhos nas pistas durante as corridas, mas atua principalmente na sede da própria empresa, alternando entre os laboratórios de testes e o escritório.
O dia a dia na Fórmula 1
E como é o dia a dia de quem trabalha com Fórmula 1? Primeiro, a competição entre as equipes faz com que a o engenheiro tenha que se dedicar bastante, podendo fazer longas jornadas de trabalho quando o projeto for importante. Isso porque a diferença entre as escuderias classificadas na competição são muitas vezes de alguns centésimos, ou seja, a mais simples modificação no carro pode influenciar muito no resultado final. “Tudo que você faz de diferente pode te trazer a pole position”, explica Grando.
Além dos projetos, outro trabalho do engenheiro é prever as possíveis falhas dos carros de corrida antes de elas ocorrerem. Pode parecer estranho tentar adivinhar o futuro, mas eles realmente fazem isso, a partir de estatísticas feitas durante as corridas. “A corrida perfeita é aquela na qual você prevê todas as possibilidades antes de ela começar e informa aos engenheiros de pista o que eles devem fazer caso algo dê errado”, conta Fernando.
São muitos os fatores que influenciam o desempenho de um carro: pista molhada, pista seca, temperatura mais alta ou mais baixa, um carro mais lento na frente do piloto da sua equipe… Dependendo da situação, o gasto de combustível e de pneus é diferente. Por isso o objetivo do engenheiro mecânico é não só construir um motor que possa responder bem a todas essas situações, como também fazer outros ajustes na máquina para que ela renda mais durante a corrida.
Fernando precisou passar muito tempo estudando o regulamento da Fórmula 1 para aperfeiçoar os carros de sua equipe. São 20 corridas todo ano. A regra permite que sejam usados, no máximo, oito motores por temporada. Segundo o engenheiro, é preciso construir equipamentos que durem bastante, mas que não percam o rendimento com o passar do tempo. Esses ajustes só são conseguidos depois de muitos testes, feitos em sua maioria em laboratórios que simulam a situação de pista.
Oportunidades no mercado de trabalho
A Engenharia Mecânica é uma profissão com diversas atuações no mercado de trabalho. O engenheiro pode desenvolver, projetar e supervisionar a produção de máquinas, equipamentos, veículos, sistemas de aquecimento e de refrigeração e ferramentas específicas da indústria mecânica. “Muita gente cria o sonho de só trabalhar na Fórmula 1, mas todas as áreas dessa carreira são fantásticas”, admite o engenheiro.
Grando consegue enxergar boas oportunidades para quem vai se formar nos próximos anos. “O mundo já está pensando em energias alternativas. Será preciso criar carros que aceitem esses combustíveis, como a energia elétrica e até mesmo hidrogênio, criar turbinas eólicas para a produção de energia por meio do vento, entre outras novidades que virão”, explica. Além disso, as descobertas na nanotecnologia e em microssistemas pedem engenheiros capacitados a criar equipamentos cada vez menores e mais eficientes.
Para encerrar, uma dica importante de Fernando Grando: “Coisas fantásticas podem acontecer ao acaso. Você tem que estar aberto a diferentes experiências”. Foi assim que tudo começou para ele, com um simples anúncio no mural da faculdade.


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